A empresa pretende ampliar o uso da automação para definir onde os anúncios serão exibidos, reduzindo o controle manual dos anunciantes sobre aplicativos e posicionamentos.
A Meta está preparando uma mudança importante em sua plataforma de publicidade. Alguns anunciantes já começaram a receber avisos de que a empresa pretende remover a opção de controle de posicionamentos dos conjuntos de anúncios, embora ainda não exista uma data oficial para a alteração.
Atualmente, os anunciantes podem decidir em quais espaços da Meta suas campanhas serão ou não exibidas. É possível, por exemplo, evitar anúncios nos resultados de pesquisa do Facebook ou impedir determinadas exibições relacionadas aos Reels.
Esse recurso oferece às empresas maior controle sobre os locais em que sua marca aparece. Com a mudança planejada, porém, uma parte dessas decisões deverá passar diretamente para o sistema automatizado da Meta.
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Meta quer deixar a escolha dos posicionamentos para sua tecnologia
A estratégia da empresa é ampliar cada vez mais os posicionamentos disponíveis e permitir que seus algoritmos identifiquem automaticamente onde cada anúncio tem maior possibilidade de apresentar bons resultados.
E a mudança pode ir além dos posicionamentos específicos.
Segundo informações divulgadas pelo especialista em anúncios da Meta Jon Loomer, a plataforma também está começando a retirar a possibilidade de excluir determinadas plataformas.
Na prática, isso significa que uma campanha poderá ser distribuída entre diferentes aplicativos e ambientes pertencentes à Meta conforme o sistema identificar as melhores oportunidades de desempenho.
Assim, em vez de o anunciante determinar manualmente todos os locais de exibição, a própria plataforma poderá fazer essa distribuição utilizando dados de comportamento e desempenho.
Publicidade da Meta caminha para uma automação cada vez maior
Essa alteração faz parte de uma estratégia mais ampla da Meta: automatizar grande parte do processo de criação, segmentação e distribuição das campanhas publicitárias.
A visão da companhia é chegar a um cenário no qual uma empresa precise fornecer apenas informações básicas, como seu objetivo e endereço do site. A inteligência artificial poderia cuidar de boa parte do restante.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, já descreveu uma visão semelhante para o futuro da publicidade da companhia. Nesse modelo, os anunciantes teriam cada vez menos necessidade de configurar manualmente criativos, públicos, segmentações e outros detalhes técnicos.
O objetivo seria transformar a plataforma em um sistema capaz de interpretar o que uma empresa deseja alcançar e, a partir disso, encontrar automaticamente a estratégia de publicidade mais eficiente.
Inteligência artificial ganha espaço na escolha de anúncios
Uma das principais vantagens dos sistemas de inteligência artificial nesse processo está na capacidade de analisar enormes quantidades de informações rapidamente.
Os algoritmos podem comparar padrões de comportamento, histórico de desempenho e diferentes características das campanhas para estimar qual anúncio, formato e posicionamento possuem maior chance de gerar uma resposta positiva de determinado público.
Com informações suficientes, o sistema também pode adaptar mensagens e criativos de acordo com padrões que anteriormente apresentaram melhores resultados.
A Meta vem avançando nessa direção há alguns anos, incentivando anunciantes a utilizarem cada vez mais recursos automatizados.
A retirada de controles manuais de posicionamento seria, portanto, mais uma etapa dessa transformação.
Menos controle para anunciantes, mas potencialmente mais desempenho
Para empresas e profissionais de marketing, a principal consequência será uma troca: menos controle direto em troca de uma maior participação dos algoritmos nas decisões da campanha.
Caso a automação realmente entregue resultados superiores, essa simplificação poderá ser positiva para muitos anunciantes, especialmente aqueles que não possuem equipes especializadas para administrar campanhas complexas.
Por outro lado, algumas marcas podem preferir determinar exatamente onde seus anúncios aparecem, seja por questões de posicionamento da marca, estratégia ou experiência do público.
A mudança pode tornar esse tipo de controle mais limitado.
Automação também pode criar um novo problema
Existe ainda outra preocupação relacionada à expansão da publicidade criada por inteligência artificial.
Se uma parcela muito grande dos anúncios passar a ser produzida automaticamente, existe o risco de os criativos começarem a ficar parecidos entre si.
Além disso, sistemas de IA aprendem utilizando dados e padrões existentes. Em um cenário no qual grande parte dos novos anúncios também seja criada por inteligência artificial, os sistemas poderão começar a utilizar suas próprias produções anteriores como referência.
Com o passar do tempo, isso poderia diminuir a diversidade dos anúncios e até reduzir a eficácia de determinadas estratégias.
A Meta provavelmente terá de desenvolver mecanismos para evitar esse efeito.
De qualquer forma, a direção adotada pela empresa está ficando cada vez mais clara: a publicidade dentro das plataformas da Meta deverá depender progressivamente de automação e inteligência artificial, enquanto algumas configurações manuais disponíveis aos anunciantes tendem a desaparecer.



